Performance Histórica

A área de Performance Histórica trabalha questões ligadas à “Música Antiga”. Antes de mais nada é necessário conhecer as duas definições, distintas, porém relacionadas entre si, de “Música Antiga”.
A primeira definição é baseada em um período histórico, ou seja, é a música da Idade Média, Renascimento e Barroco, pelo fato de que não existe uma tradição contínua de execução. Em outras palavras, tal música parou de ser executada depois de sua época e precisou ser revivida em nossa própria era. Até meados do século XIX, tanto público, como músicos, raramente se interessavam por outra música que não fosse aquela produzida naqueles dias. Assim, após alguns anos de execução, a maioria das obras normalmente caía no esquecimento.
No início do século passado, mais precisamente por volta de 1930 surgiu, inicialmente na Europa, grande interesse pela performance musical histórica, onde as formas interpretativas foram repensadas e pesquisadas de acordo com a época e a origem das composições. A música do Renascimento e da Idade Média incita o intérprete a atuar como um verdadeiro arqueólogo, buscando através de outras fontes, como iconografia e relatórios de época, dados que permita reconstruir a forma como esta música era realizada.
A segunda grande definição de "Música Antiga" é o aspecto da performance. Isto é um tanto susceptível, mas o fato significativo é o desejo de recriar (executar) a música de uma época em particular com suas sonoridades e seus tratos estilísticos, incluindo-se também aí a música dos períodos Clássico e Romântico; uma vez que é um objetivo comum, realmente envolve muitas conjecturas e depende fundamentalmente da intuição do músico moderno no topo do trabalho de musicólogo. Essa abordagem, chamada por muitos de Performance Historicamente Informada (PHI), freqüentemente reside no uso de instrumentos "autênticos" (instrumentos originais ou cópias). Assim, a PHI pode ser aplicada a praticamente qualquer música. Dentro deste movimento chamado "Música Antiga", uma corrente denominada "Autêntica", defende a execução musical em instrumentos, réplicas de época, tornando-se uma especialidade com cada vez mais adeptos. Um exemplo dessa corrente é a Sociedade de Instrumentos Antigos de Paris, que jamais deixou de executar música com instrumentos originais ou cópias dos mesmos.
O fato da PHI nos revelar uma época distante, repleta de diferentes sonoridades, exerce grande fascínio, tanto sobre músicos como público, que cresce a cada dia. Um fator bastante importante é que, a busca por documentos antigos, como peças, manuais e tratados, nos abrem novas portas para a interpretação da música, principalmente daquelas a qual não tivemos contato.
A área de Performance Histórica do Conservatório de Tatuí conta atualmente com os cursos de Flauta Doce, Cravo e Fortepiano, sendo este último, o único curso oferecido no Brasil. Os alunos são admitidos após a aprovação em teste realizado por uma banca especializada.
A idade mínima para ingressar nos cursos de Flauta Doce e Cravo é de 9 anos e no curso de Fortepiano,12 anos. A duração dos cursos de Flauta Doce e Cravo é de 14 semestres e de Fortepiano, 16 semestres. Para os alunos que concluem um destes cursos, existe a opção de mais quatro semestres de aperfeiçoamento.
Além das disciplinas comuns a todos os cursos, a área de Performance Histórica oferece as disciplinas de Música de Câmara, Baixo Contínuo e Prática de Conjunto.
A área conta também com o Grupo de Performance Histórica que vem desenvolvendo um trabalho de interpretação historicamente orientada.
A área de Performance Histórica oferece, tanto para a aula como para estudo dos alunos os seguintes instrumentos: dois cravos franceses de dois manuais, um cravo italiano de um manual, uma espineta inglesa, um cloavicórdio não trastado e um fortepiano vienense de cinco oitavas.
Eventos são oferecidos durante o ano, tais como: palestras, concurso interno, master classes, audições de alunos e, bienalmente, o encontro internacional de performance histórica.

Débora Ribeiro - Coordenação - Flauta Doce

Tem formação musical em Flauta Doce pelo Conservatório de Tatuí, pós-graduação - Lato Sensu em Aperfeiçoamento sobre o “Método Kodály” pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Curso de Extensão Universitária da Universidade de Verão “Dunakanyar” (Esztergom - Hungria) sobre o “Método Kodály”, promovido pela Dunakanyar Müvèszeti Nyári Egyetem.
Participou de cursos, festivais e oficinas de música, como I e V “Curso Internacional sobre o Método Kodály”, ministrado pela professora Maria Ördög (Hungria); Curso de “Comunicação, Educação e Arte na Cultura Infanto-Juvenil”, ECA-USP; “Oficina de Música II”, Curso de “Música Antiga” e “Dança Antiga”, ministrado pelo professor Helder Parente em Curitiba/PR; IV “Festival de Música de Londrina”; Curso de “Flauta Doce”, ministrado pelo professor Helder Parente; e Curso de “Prática de Música Antiga”, ministrado pelos professores Roberto de Regina e Eunice Brandão. Participou também de cursos ministrados pelos professores José Eduardo Gramani, H. J. Koellreutter e Theophil Maier.
Atualmente é professora de Flauta Doce e Coordenadora da Área de Performance Histórica do Conservatório de Tatuí e professora de Flauta Doce na Escola Municipal Livre de Música de Itapetininga.

José Carlos Pires Júnior - Flauta Doce

Licenciado em Música pela UEL, e mestre em Filosofia da Mente e Ciência Cognitiva pela Unesp, tendo defendido a dissertação: “Uma Investigação Filosófica da Criatividade Musical”.
Foi aluno de Flauta Doce de Hélcio Müller e Prática de Música de Câmara com Roseana Carvalho. Ingressou na Universidade Estadual de Londrina no ano de 2003 para lecionar as disciplinas de Flauta Doce, História da Música, Música Aplicada e Sonoplastia para Teatro.
Nos anos de 2004 e 2005, ganhou dois prêmios de Melhor Trilha Sonora Original para a peça teatral “Era pra ser um dia normal”. Lecionou também na Universidade do Oeste Paulista – Unoeste, de 2004 a 2007, no curso de Produção Fonográfica, onde ministrou disciplinas de Música e Tecnologia, Produção Musical e Sonorização de Imagens. Também compôs, nos anos de 2003 a 2005, o corpo de elaboração e avaliação da Prova de Habilidade Específica do Vestibular do curso de Música da UEL.
Realizou, como convidado, concertos e apresentações junto ao Grupo Neuma - Ensamble Universitário de Música Antiga (UEL), sob a orientação de Elimar Plínio Machado. Participou de apresentações, como convidado, no Quarteto Tetracorde de Flauta Doce. Hoje pesquisa também sobre interpretação de música contemporânea, Live Eletronics e o conceito de Hiperinstrumento aplicado à flauta doce eletronicamente processada.

Maria Eugênia Sacco - Cravo, baixo contínuo e música de câmara

Bacharela em cravo pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e graduada em nível universitário pelos exames internacionais do Trinity College London. Em Amsterdã, Holanda, fez curso de aperfeiçoamento com Anneke Uittenbosch no Conservatorium Sweelinck (1994-1995) e na Academie voor Oude Muziek (1995-1996), com Patrick Ayrton.
Foi convidada pelo cravista Ilton Wjuniski a participar de seus cursos na “Académie Musicale de Villecroze” - França (estágio de cravo em 2001 e atelier de Musicologia em 2003) e no “Conservatorio Superior de Salamanca” - Espanha (Curso de Musica para teclas de los siglos XVI y XVII, en 2001).
No período de três anos (de 2000 a 2003), foi assistente do professor Ilton Wjuniski na Fundação Magda Tagliaferro, em São Paulo, no projeto pedagógico apoiado pela Fundação Vitae. Nesse período, foi orientada pelo professor Ilton Wjuniski nos estudos de cravo, baixo contínuo e música de câmara barroca.
Em 2006, teve a oportunidade de tocar como continuista na montagem da ópera “L’Orfeo”, de Claudio Monteverdi, sob a regência da maestrina Mara Campos, no Theatro Municipal de São Paulo.
É professora de cravo, baixo contínuo e música de câmara, no Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”, em Tatuí, e de cravo e baixo contínuo na Fundação Magda Tagliaferro.
É integrante dos grupos Lira D’ Orfeo, Duo Auleum, Raro Tempero e Duetto.

Selma Marino - Flauta Doce, Flautista e Coordenadora do Grupo de Performance Histórica

Iniciou seus estudos musicais em São Paulo onde estudou flauta doce com as professoras Cléa Galhano (1979 a 1981) na Pró-Música – Escola de Arte e com Terezinha Saghaard (1982) na Escola Municipal de Música. Ingressou no curso de flauta doce do Conservatório de Tatuí em 1982, onde estudou com Bernardo Toledo Piza e William Takahashi, formando-se em 1987.
Em 2000 criou o Conjunto de Música Antiga Euterpe, com o qual se apresentou em várias cidades do Estado de São Paulo.
Participou de masterclasses com os flautistas Ricardo Kanji, Bernardo Toledo Piza, David Castelo e Valéria Bittar; do curso de cravo, baixo contínuo e música de câmara ministrado por Ilton Wjuniski (FR) na Fundação Magda Tagliaferro, em São Paulo; do workshop de Dança Barroca ministrado por Ricardo Barros (BR/UK) no Conservatório de Tatuí e do XXIV Festival de Música de Londrina (PR), onde freqüentou cursos de Flauta Doce e Prática de Música Medieval e Renascentista com o professor Pedro Hasselmann Novaes e da Oficina de Ópera Barroca ministrada por Marília Vargas (BR/CH). Participou também do 1º e 2º “Enflama” (Encontro de flauta doce) realizado em São Paulo na Unesp e em Uberlândia na UFU.
Em 2008 concluiu curso de cravo e baixo contínuo no Conservatório de Tatuí na classe da professora Maria Eugênia Sacco. Atualmente é flautista e coordenadora do Grupo de Performance Histórica. É professora de flauta doce no Conservatório de Tatuí desde 1988.


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