O curso de luteria do Conservatório de Tatuí orienta para construção de instrumentos de arco – violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Amplo e com programa bem definido, o curso conta com planejamento semestral e tem por objetivos oferecer ao aluno um melhor aproveitamento e a consciência de sua evolução em cada etapa do curso, bem como uma formação profissional completa, equiparada às dos melhores cursos existentes em outros países.
Com base em programas de escolas do exterior, o curso de luteria oferece aos alunos formação sólida, dando-lhes conhecimento técnico, artístico, histórico e científico com plenas condições para o desenvolvimento da sensibilidade e noções para estudar, interpretar e e poder atuar no mercado da luteria em todos os níveis.
As aulas práticas e teóricas são ministradas por professores com importante produção pedagógica e tem como objetivo levar ao aluno conhecimentos para sua formação profissional embasada na técnica, na arte, na história e na ciência.
Disciplinas
- Organologia - História dos Instrumentos Musicais – duração de dois semestres (2 horas/aula por semana)
- História da Música – duração de dois semestres (2 horas/aula por semana)
- Teoria Musical e Solfejo – duração de dois semestres (2 horas/aula por semana)
- Prática de Instrumento – Violino – duração de dois semestres (1 hora/aula por semana)
- Prática de Instrumento – Viola – duração de dois semestres (1 hora/aula por semana)
- Prática de Instrumento – Violoncelo – duração de dois semestres (1 hora/aula por semana)
- Prática de Instrumento – Contrabaixo – duração de dois semestres (1 hora/aula por semana)
- Física Aplicada – Mecânica e Acústica - duração de dois semestres (1 hora/aula por semana)
- Desenho Técnico - duração de dois semestres (2 horas/aulas por semana)
- Luteria Teórica – Tecnologia - duração de dois semestres (2 horas/aulas por semana)
- Luteria Prática – duração de oito semestres (20 horas/aula por semana)
Conteúdo Programático
1º SEMESTRE - Período de integração e nivelamento, familiarização com ferramental, materiais diversos e execução de exercícios de operações básicas, com entalhes e cortes livres e de precisão.
2º SEMESTRE - Conhecimento do aparato instrumental e técnico, inicia-se a construção de um violino com medidas mecânicas.
3º SEMESTRE - Sedimentando os conceitos teóricos e práticos e aprimorando as operações anteriormente realizadas, constrói-se outro violino com medidas tonais.
4º SEMESTRE - Nesta fase, experimentam-se novas harmonizações e novas dimensões mecânicas e acústicas (tessitura e timbre) com a construção de uma viola.
5º SEMESTRE - Inicia-se a construção de um violoncelo.
6º SEMESTRE - Conclui-se a construção do violoncelo e em nova etapa, coloca-se em prática os conhecimentos adquiridos nas aulas teóricas para preparação e aplicação dos diversos tipos de vernizes, a álcool e a óleo.
7º SEMESTRE - Construção de arcos e exercícios de manutenção, reparos e restaurações de instrumentos.
8º SEMESTRE - Concluindo a formação para que se possa atuar nos diversos segmentos da luteria, neste semestre constrói-se um violão.
Histórico
O curso de luteria mantido pelo Conservatório de Tatuí é o único oferecido gratuitamente no Brasil. Ele foi criado em 25 de agosto de 1980, tendo como professores Enzo Bertelli e Luigi Bertelli.
No ano de 1983, o Conservatório de Tatuí solicitou do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) do Estado de São Paulo, o desenvolvimento de um estudo das madeiras brasileiras em substituição às européias tradicionais, que são utilizadas na construção de instrumentos musicais da família do violino. O mesmo baseou-se na comparação das propriedades anatômicas, físico-mecânicas e acústicas das madeiras, resultando em uma lista de dez madeiras com grande potencialidade para substituir as importadas.
Entre elas, estão o Pinho do Paraná, a Grumixava e o Pau-ferro, as quais são utilizadas para a construção dos primeiros violinos dos alunos. Além das madeiras nacionais, são utilizadas também madeiras importadas, tais como o acero balcânico, o abeto alemão e o ébano africano.
Os estudos que resultaram na bem sucedida substituição das madeiras foram cercados de muitos cuidados. Inéditas no país, as pesquisas foram subsidiadas pela Funarte (Fundação Nacional de Arte) e capitaneadas pelo luthier Enzo Bertelli. Italiano de renome internacional, Bertelli tem trabalho catalogado no Dicionário Universal dos Luiteres e na Enciclopédia da Tchecoslováquia – espécies de Bíblias da profissão muito rara e que exige precisão e dedicação. Enzo e o filho Luigi foram os responsáveis pelo desenvolvimento da importantíssima arte e técnica da fabricação, reparação e manutenção de instrumentos de arco no Estado, nos moldes da mais famosa e tradicional escola do mundo. Além da formação de luthiers, a implantação do curso no Conservatório de Tatuí representou uma espécie de independência do Brasil – à época, o país dependia de matéria-prima importada. A importância do curso em Tatuí está representada na própria história da luteria no Brasil: Enzo Bertelli conseguiu provar que era possível construir violinos de autoria brasileira em nada inferiores aos importados e com um custo menor.

Nascido no Paraná, Izaias de Oliveira concluiu em 1996 o curso de luteria pelo Conservatório de Tatuí, orientado pelos professores Enzo e Luigi Bertelli. Cursou, ainda, dois anos de violino e um de teoria e solfejo.
Desde 1987 trabalha como autônomo em restauração e manutenção de instrumentos musicais.
Participou dos cursos do Festival de Inverno de Campos do Jordão nos seguintes anos: 1994 e 1995.

Vlamir Devanei Ramos é “luthier” desde o ano de 1976. Com formação técnica em mecânica, foi instrutor de ensino em escola Senai e instrutor técnico de treinamento em indústrias (Shell e Pirelli), até o ano de 1980.
Estudou violino no Conservatório de Tatuí e foi violinista do “Terzetto Corelli” de Sorocaba, tendo integrado também a Orquestra Sinfônica Municipal de Sorocaba. Iniciou seus estudos de luteria tendo como mestre o saudoso professor Lázaro Bertrami, em Tatuí. Depois, pesquisou técnicas da luteria italiana (diversas regiões), francesa e alemã.
Por meio da Associação Brasileira de Luteria, fez cursos complementares e participou de palestras e “workshops” com “luthiers” estrangeiros como Pierre Guillaume (Maison Bernard - Bélgica), Yan Besson (Casa Phelps – Inglaterra), Peter Mörth (Áustria) e James Simon (USA).
Foi pioneiro na elaboração e utilização de verniz à óleo no Brasil, desmitificando o conceito de que esse tipo de verniz demora anos para secar. Após pesquisas, também foi pioneiro no Brasil, na aplicação de “medidas tonais” (harmonização) nos instrumentos de cordas, como eram utilizadas na luteria antiga dos séculos XVII e XVIII, em substituição às medidas puramente mecânicas.
É consultor de luteria para indústrias de instrumentos de cordas e tem instrumentos nos principais grupos sinfônicos do país, entre eles Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Orquestra Sinfônica Brasileira do Rio de Janeiro, Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, Orquestra Sinfônica de Campinas e Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo.
Atualmente é professor do Conservatório de Tatuí.
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